quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Feel the wind on your face, no one can feel it for you

 Desenho em tamanho A3, grafite.

hum, houve alguns problemasde proporçoes...o olho esta demasiado grande e devia estar mais acima alem de outras coisas...como a frase k nao esta totalmente nivelado

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ensurdecedor

Ensurdecedor.
Ensurdecedor.
Um grito agudo.
Um choro eterno.
Eternas lágrimas correm pela pele lisa, frágil, virgem.
Eternas lágrimas de eterna tristeza, de eterna dor, de eterna solidão.
Eternas lágrimas salgadas por sal de mares longínquos, tumultuosos, fundos, profundamente escavados  e rachados por punhais finos e afiados, grossos, rudes, enormemente marcados com brasões dourados, nomes abastados…brasões cravados a ferro quente em peles límpidas, lisas, novas, brilhantes de vivacidade ingénua, alegria pura, doce loucura da idade do passado, fechado a sete chaves num baú de ferro, de sete fechaduras, com sete códigos, sete murmúrios secretos que trancam toda a beleza do mundo meu, teu, nosso…mundo nosso, de nós quem?
De nós humanos desprezíveis, enterrados em preconceitos sedentos da verdade oculta pela irmandade secreta do sofrimento que apaga todo o desejável desta vida. Que apaga tudo o que vale a pena ver, ouvir, tocar, sentir, viver…
Irmandades de velhos, novos, adultos, jovens, crianças…criados todos no mesmo gamelão, na mesma pocilga. Criados todos com as mesmas leis, crenças, dogmas, ilusões. Areia nos olhos. Areia nos ouvidos, na boca, no tocar. Areia no viver. Areia no nascer e no morrer. Areia. Areia que tapa, que mata, ilude. Areia do sofrimento, do horror, do vazio da vida sem fé, nem sentido, de humanos convencidos da sua omnipotência sobre um mundo que não lhes pertence. Um mundo alugado pela saudade do mundo que o antecedeu. Da glória do passado. Da vivacidade, alegria, verdade e hipocrisia, do viver, do sentir, do ver, do ouvir e perceber do mundo anterior a este.
Do mundo anterior a este ensurdecedor e agudo choro.


Paula Isabel Fariña
9/11/2009

Cansaço

Na penumbra, no escuro frio e húmido da tua alma, descanso.
Descanso, descanso, descanso…
Descanso a minha cabeça cansada de pensar.
Os meus olhos cansados de olhar.
A minha boca cansada de falar.
Os meus ouvidos cansados de ouvir.
Os meus braços cansados de abraçar.
As minhas mãos cansadas de tocar.
Os meus dedos cansados de apontar.
O meu coração cansado de sentir.
Os meus pulmões cansados de respirar.
As minhas pernas cansadas de andar.
Os meus pés, cansados de suportar o peso do meu corpo, cansado de viver.
Cansado da vida vazia, com fome e sede dum renascimento íntimo, dum pensamento racional e limitado por normas vi, cruéis, pensadas por pensadores de pensamentos dogmáticos, quadrados, fundamentados em verdades absolutas sem qualquer tipo de fundamento…
Cansado.
Cansado.
Canso-me eterna e seguidamente deste mundo cruel e superficial. Do mundo dos ricos e dos pobres, dos bonitos e dos feios, dos gordos e dos magros, da estética, da posição, da inteligência absurda, do pensamento exagerado sobre temas irreais, do esquecimento repetido do real, do verdadeiro, do que vale a pena.
Canso-me.
Canso-me deste mundo absurdo em que a vida se resume a seguir um conjunto de regras impostas por entidades superiores, de inteligência inferior. Canso-me e canso-me cada vez mais deste mundo estúpido, desta vida absurda vivida sem ti.
Oh, anos de infância perdidos, esquecidos pelo tempo. Um tempo sem preocupações absurdas sobre assuntos desimportantes.
Oh, anos de infância, que de ti, nem conhecer, nem pensar, nem tocar, nem chamar….nos escuro sisudo do corredor apertado pelo tempo que passa sem rumo nem objectivo aparente de glória, ou qualquer outro tipo de feito que o faça passar não despercebido por esta vida obsoleta que eu vivo.
De ti, nem pensar, nem conhecer, nem amar…

Paula Isabel Fariña
2/11/2009

Memórias da minha vila

O tema para este texto foi-me proposto por um professor: ‘o jornal de hoje, embrulha o peixe de amanhã’. e em parte inspirado na maneira de ser e na história do mesmo...obrigada pelo apoio, Paixão!






Vesti-me, calcei-me…fiz o que fazia todas as manhãs. A minha rotina era a mais normal do mundo.
O que eu fazia depois disso, era por muitos, condenável.
Para mim não era nada de mal… mas se os meus pais soubessem…haveria “pranto e ranger de dentes” em casa.

Relembro agora os dias que passei sentado naquele banco.
Deliciava-me observando as pessoas que se moviam atarefadas à minha volta. Um mundo imenso desenrolava-se naquele largo.
Mulheres de xaile negro, curvadas pela vida, olhavam as barracas, os preços…provavelmente fazendo contas. A vida era difícil naquela vilazinha perdida no meio do nada.
Os homens gordos, carrancudos, de bigode espevitado e peito erguido, como se o mundo fosse todo deles, passeavam os seus relógios de bolso dourados pelo largo, olhavam as moças, que fingiam não reparar. Era uma dança de olhares, no entanto não passava disso, uns simples olhares.
Ainda haviam aqueles que transpiravam por de trás das barracas coloridas, um arco-íris de frutas e vegetais, de plantas e animais, de pessoas e crianças, tudo pára, mas o mundo avança.

Deixei de ir à escola, no dia em que me sentei pela primeira vez naquele banco. Maravilhei-me. Um espectáculo sem igual decorria à minha volta. Não queria saber como se lia, não me importava com a matemática, as adições, as subtracções, os números grandes e pequenos, as letras garrafais da professora no quadro negro, o contraste do giz puro e branco. Naquele dia, apercebi-me que aprenderia muito mais naquele simples banco do que numa escola, resolvendo operações.

E assim foi. Tudo o que sei, aprendi-o naquele banco velho e sujo, ao qual ninguém dava importância, no entanto, ele era a minha escola, o meu lar, a minha família, o meu único amigo…era tudo para mim.

Conto agora aos meus netos memórias de episódios que observei neste banco velho. Sim! Eu estou aqui no meu banco, com os meus netos ao lado. Não há nada melhor. Sentir o seu cheiro, o seu toque…

-Tinha peixinhos nessas barracas, avozinho?
-Sim, tinha muitos, de muitas cores e tamanhos…eu adorava vê-los todos alinhados, limpos, prontos para serem vendidos.
Um dia, observei com mais pormenor a barraquinha da Sra. Maria. Os peixes sucediam-se em caixas de madeira escura. Ela limpava-os e alinhava-os no mostrador.
Um rapazinho de chapéu sujo e botas esburacadas distribuía jornais. Todas as manhãs a Sra. Maria lia o jornal, quando acabava, dobrava-o cuidadosamente em dois, sem que uma folha ficasse fora do lugar. Depois, punha-o sobre uma pilha de jornais antigos que cobriam uma esquina da pequena barraca.
Sempre que um freguês se aproximava, ela desdobrava cuidadosamente o jornal, cobria o peixe como se se tratasse dum bem precioso e entregava-o tão cuidadosamente quanto o embrulhara.

Aprendi assim, que: ‘o jornal de hoje, embrulha o peixe de amanhã’.

Perceberam meninos?
-Mais ou menos, avozinho…, acho que não entendi essa coisa do jornal de hoje embrulhar o peixe de amanhã…
-Pensa João, pensa…que vais perceber…
-Um dia quero ser como tu, avozinho…e saber todas essas histórias!



Paula Isabel Fariña
27/11/2008

E uma névoa desceu sobre mim...


Saí de casa a correr, era tarde…dirigi-me para o passeio fino, tinha um fato de treino velho vestido e o cabelo mal amarrado… mas nada disso me importava, só queria estar só e chorar. Chorar até que me secassem as lágrimas, até que me doessem os olhos, até que a dor que sentia por dentro passasse.
Queria chorar para aliviar o sofrimento, queria estar só para me questionar porque é que a vida é assim, porque é que as pessoas mudam, porque é que tudo muda num milésimo de segundo?! É como se fechasse os olhos e trás! Vem uma rajada de vento e leva tudo o que eu tinha, tudo aquilo em que eu acreditava, todas as minhas certezas, os meus sonhos, os meus objectivos…tudo o que eu amava.
Tudo muda…Como? Porquê?...não sei…
Enquanto corria, perguntava-me: Porquê?!...mas não havia resposta, não havia ninguém para responder…
No mesmo milésimo de segundo em que tudo mudou, nesse mesmo espaço de tempo, fui envolvida por uma névoa. Uma névoa de serenidade, de paz, de alegria, de fé e esperança. Sim!...num milésimo de segundo…quando ele apareceu.
E sorriu, ao ver-me chorar.
E consolou-me, afagou-me nos seus braços fortes, e eu senti-me protegida.
E aquele sorriso, nunca o esquecerei…
…Porque ele mudou a minha vida.

18/06/2008