segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Ausência

Fotografia da Melanie Costa

Na penumbra, no silêncio escuro da tua ausência, a saudade alastra-se como o álcool em feridas profundas.
A solidão domina o vazio da tristeza, respira-se no ar bafiento do quarto onde não mais voltaste. Onde me deixaste só, desamparada, rodeada de promessas falsas, de frases não sentidas, de toques cuja insignificância me mata, me dói, me fere como o caçador à presa.
E eu, segura de ser o caçador, transformei-me na presa fraca, transformei-me nos meus próprios despojos, no meu próprio cadáver. Tornei-me tão viva quanto uma carcaça no meio do deserto, comida por abutres, da qual só restam ossos ressequidos e pele desfiada.
No entanto, quem me dera que fosses o abutre. Pelo menos, nos meus últimos segundos de vida, teria estado perto de ti. Na minha memoria, recordar-te-ia como o abutre, não aquele que me retirou a carne e me desfez o corpo – esse também o és – mas no meu ultimo suspiro ver-te-ia como aquele que necessita de mim para sobreviver. Ter-me-ia imolado a ti de boa vontade, se mo pedisses. Dei-te tudo, dei-te a minha vida. Que diferença faria dar-te também o meu ultimo suspiro? Pelo menos morreria com a certeza que precisaste de mim para sobreviver. Que a minha morte foi necessária a ti, para que vivesses. Que é do abutre sem o cadáver? Como gostaria de poder pensar: ‘Que seria de ti sem mim?’.
Mas não, tu foste o caçador. O caçador que caça por desporto, que ignora que a presa tem alma, tem sentimentos, tem vida. Foste o caçador ignorante, egoísta e insensível. Apontas-te por apontar, matas-te por matar. Nada mais te interessou. Nada mais te prendeu.
Mas prendeste-me a mim. E eu tinha alma, tinha sentimentos, tinha vida. Eu não fui insensível. Não pude! Pelo contrario, vejo agora que fui eu a única que senti. Ignorante, sim, fui. Muito. Não te vi com os olhos, vi-te com o coração e com a alma. Foi por isso que me mataste. Foi por isso que morri. Foi por isso que te tornaste caçador. Foi por isso que me tornei a presa. Foi por isso que agora, em vez do abutre miserável e necessitado de mim, recordo-te como o abutre engalfotado, esfomeado, cruel e vil que me despedaçou, centímetro a centímetro. Nem esperaste que morresse para poupar-me a dor. Fizeste-o estava eu bem consciente. Senti tudo, cada bicada, cada pedacinho minúsculo que me arrancaste.
E no entanto estranho-te. É irónico…. No entanto, estranho-te. Sinto a tua falta.
O silêncio escuro da tua ausência é ensurdecedor. Doem-me os ouvidos de não te ouvir, dói-me o corpo de não te tocar, doem-me os olhos de não te ver, dói-me a alma por não mais poder te amar, mas meu ser não vive sem ti, minha mente não pensa sem ti, meus olhos não vêem sem ti. Mesmo no silêncio escuro da tua ausência… oiço-te, vejo-te, toco-te, sinto-te.
E por te ouvir, te ver, te tocar, te sentir, a dor é ainda mais forte.
Oiço um grito agudo que rompe o silêncio escuro da tua ausência. Procuro o dono desse grito. Espanto-me. Fui eu…
Eu? Não sinto o grito em mim. Alias, já não sinto nada em mim. Com sorte, daqui a algum tempo também já não sinta a dor.
Afasto este pensamento rapidamente. Não! Eu quero sentir dor! A dor é a única coisa que me resta. A única prova que tenho de que estou viva. A única prova de que a minha anulação própria não é loucura, é realidade, e devo-a a ti.
No entanto, o grito nada mudou, a dor continua lá, bem no centro do meu ser. Adormecida. Esperando o momento certo, o segundo exacto em que sairá do mais intimo de mim e tomará conta de todo o meu ser.
Vergo-me perante tanto sofrimento. Agarro todas as partes de mim que teimam em dispersar-se pelo nada obscuro em que me encontro. Pelo nada obscuro em que me deixaste.
Agarro-as.
Agarro-as com todas as minhas forças. Com as forças que ainda me restam. Dobro-me em convulsões. Elas teimam em dispersar-se, teimam em deixar-me sozinha no meio do nada, no meio da solidão, no meio da tua ausência dolorosa. A ausência que se respira no ar. A ausência que vive em mim.
A tua ausência.
A minha ausência.
A ausência de vida em mim.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Glove

...a minha mais recente aquisição...

que acham??

i love it <3





..outra maneira de usar, sem colocar a luva no dedo :)

Reciclagem

Ola pessoal!!!
Nos próximos posts vou fazer alguma reciclagem de fotos minhah gentxe :)
Ou seja, eu, na minha excelsa pessoa, passei séculos sem fazer posts e como resultado tenho um monte de fotos a criar bolor numa pasta, a espera de serem postada aki  no blog lool
Portanto nos proximos posts vou limpar.lhes o pó ^^
Unhas Falsas dos Chineses
Aqui estão as primeiras unhas falsas que usei na minha vida!!! uuhuuhuhuhhh
Made in China, Used in Madeira xD

Duraram algumas horas sem cair nenhuma... isto depois de eu me dar de conta que a cola que vem com elas nao funciona nem para colar envelopes, quanto mais unhas.... aquilo para pasta de dentes é capaz de ser bom, principalmente para quem usa placa... na mesma corre o risco dos dentes cairem...

Loool mas e sempre bom ver as 'unhas (mesmo que não sejam as nossas) bonitinhas e arranjadas...nem que seja por umas horas, até umas quantas cairem e ficarem regadas no centro comercial, que mais parecia uma recriação de Hansel and Grettel... os irmãos Grimm ficariam orgulhosos da minha recriação de 'Hansel and Grettel do Século XXI'...em vez de bocadinhos de pão pelo chão, encontra,-se unhas falsas com cola rasca!!!! weeeee