sábado, 9 de julho de 2011

sexta-feira, 8 de julho de 2011

domingo, 3 de julho de 2011

Esboços






Frida Kahlo


Ilustração 4

Ilustração 3

Can

Cans

Sculpture

Couple kissing

Face

Ilustração 2

Nude

Piano + blue eyes

Blue eyes

Ballerina

Ilustrações



Mobile - relogio Salvador Dali

Hands

Fashion durante as aulas!!!

Fashion!

Escultura

Diário Gráfico


CHAIR



Proposta, Mural para o Centro da Mãe






Inspirados na 'Criação do Homem' Miguel Angelo


Tinta da China

Pastel e grafite :)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

mais desenhos!

...brevemente

eu estava a tentar por... mas o computador não está a contribuir.. portanto, vou tentar fazê-lo o mais depressa possível --' já tenho imensos desenhos em atraso! que vergonhaaaaa! :c

some lost ones.. xD



...não me lembro se já postei estes (que vergonha!!) mas aqui vai lol

quinta-feira, 10 de março de 2011

Crianças

A infantilidade chega a todos, mesmo aos que se julgam os mais racionais adultos. Somos crianças grandes num mundo de crianças pequenas.
Crianças, não passamos disso.
Crianças convencidas da sua maioridade.
Imaturos. Irresponsáveis imaturos.
Não passamos disso. Embriões mal-amados do nosso tempo. Seres mal gerados. Crianças mal criadas.
Sente. Sente a dor.
Sente agora a tua insignificância perturbadora.
Sente. Corrói.
Não passas de uma criança que me mata.
Não passas do pequeno embrião que eu encontrei e tomei como meu.
Matas-me, filho da minha alma.
Matas-me e morro voluntariamente, qual mártir que se entrega por seu deus.
Filho do meu seio morto. Ai de mim. Negro o dia em que te adoptei.
Apunhalas-me assim, bebé mal agradecido. Demasiado amado foste. Demasiado cuidado te cuidei.
Troquei a minha vida pela tua, e ainda assim me matas.
Oh filho sem piedade. Oh erro da minha juventude. Anel perdido da minha castidade.
Volta agora.
Volta.
Salva-me da criança que me mata.
Pobre de mim, reles humana estúpida.
Não adoptes o que não é teu. Não queiras o que não te pertence.
Arrepende-te.
Arrependo-me. Não. Não.
E ainda assim me seduzes. Embrião mal nascido.
Filho da minha insanidade. Réstia da minha alma negra. Mata-me. Mata-me de uma vez.

E é na negra escuridão tardia que se libertam os pensamentos infames.

E é na negra escuridão tardia que se libertam os pensamentos infames.
Reflexões proibidas, decisões invertidas numa confusão controlada apenas pelo sopro primaveril da razão.
E pergunto-me  vezes sem conta o porquê de tais transformações. São os desvios naturais da sociedade anti-natural., são a normalidade entre os anormais e não passam duma sombra escura, de um borrão mal apagado no grande livro da História da Humanidade.
E quanto mais penso sobre isto, mais certeza tenho de que os anormais são eles, pela sua personalidade mesquinha, pela sua mente fechada e inútil. Pelos seus preconceitos parvos e a sua capacidade de compreensão reduzida.
É muito bonito dizer-se que o amor é cego, apregoar que não interessa o físico do(a) amado(a), que o que interessa é o que se sente. Mas quando chega a hora da verdade, o que realmente interessa é o físico, e ninguém se preocupa com o amor.
Tretas! Tudo tretas!
Vivemos num mundo de treta, num país de treta, numa ilha de treta. E seria preferível morrer  que pensar como eles, seria preferível deixar tudo de uma vez, a admitir os seus preconceitos.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Pessoa da minha alma

E é no compasso de espera deambulante da hora que não passa que te sonho em sonhos proibidos de razão ou de ser. Sonho-te uma e outra vez e suspiro profundamente, inspiro o ar frio devagar, de volta à realidade onde não estás tu.
E tento, uma vez mais, sonhar-te lentamente, na bruma do pensamento inerte. Na minha inconsciência constante sonho-te uma e outra vez, sem sonhos proibidos.
Sonhos proibidos. Sonhos sonhados na proibição ilustre da tristeza que alastra e sorrio no instantâneo mover dos teus lábios. Rio-me de mim e da minha loucura. Rio dos meus sonhos contigo e fixo-me nos teus olhos negros, perdendo-me em contrastes sem cor, nas longas e fartas pestanas que os abafam, a pele firme e macia que os rodeia.
Perco-me na textura que te cobre, no rosa claro de que és feita, pessoa da minha alma.
Sonho-te, perfeição do meu barro mal amassado, mel do meu pólen mal colhido. E se mais te sonho mais te quero. Doce açúcar enjoativo, café amargo da terra, sal que banha o meu mar, saudade que de mim berra.
E sonho-te mais e mais, e sonhando te desejo. 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Tonto é aquele que nada contra a corrente


O amor é negro. Não negro como uma noite tranquila de verão, salpicada por estrelas minúsculas no horizonte. E negro como a morte, pois à morte nos conduz.
É negrume que dói, corrói a pouco e pouco a alma. Humilha, espera paciente, e de dia para dia arranca-nos pedaços. Uns maiores, outros menores. Há dias em que no-los arranca tão inesperadamente, e tão grandes que parece que nos leva a alma. Outros dias tira-los suavemente, com doces mãos de doces sofrimentos. Nem damos por isso, na nossa dormência indiscreta.
É como um sono que nos abala e não podemos acordar. Sonhamos pacientemente com o dia em que o príncipe tomará a bela adormecida do seu leito milenar. Sonhamos com uma branca de neve ressuscitada ou com uma polegarzinha encontrada. Com doces cavaleiros em dossel branco e pequenos anões alados. Fadas e elfos valentes e uma bruxa má que se converte em fada boa, no final da história. E todos vivem felizes para sempre.
Para sempre é muito tempo. Para sempre é demasiado tempo. Até para amar.
Para sempre é negro. É a negra mentira contada todos os dias a crianças inocentes, é a negra mentira que casais juram um ao outro num romance afastado. Mentiras e mais mentiras, porque o politicamente correcto vence sempre, o cansaço vence sempre, e a dor, vence sempre.
É mais fácil acabar tudo e não lutar, rescindir-se à ignorância impessoal da covardia ligeira.
É mais fácil passarmos ao lado da vida e virarmos a caraq do que a encarar-mos de frente. Caramba! Peguem o boi pelos cornos! Tenham coragem por uma única vez que seja! Mas que raio de seres são vocês que nem convosco mesmos falam? Olhem-se ao espelho e vejam, com olhos de águia, que é que têm feito até agora senão fugir dum poleiro para outro, pior que galos em capoeira. Ao menos os galos cantam de manhã, ao menos isso fazem bem.
Reles serpentes dominadoras. Reles escaravelhos de bancada. Que é para vós a vida? Algo tão descartável quanto a morte? E brincam na indecisão do suicídio com meio pé na ponte, meio pé no vazio. Será que vou saltar ou não? Sim. Não. Não. Sim. Talvez. Daqui a uns minutos. É agora. Não, afinal não quero. Espera, já quero. Aqui vou eu.
E mantêm-se na água enquanto ela está morna e quando arrefece, depressa nadam para a margem. Deus nos livre que a agua fria vos toque.
E fugir é tão fácil. Tão simples. Que ridículo.
Tonto é aquele que nada contra a corrente, que não se deixa levar pelo frio da água, que contra tudo e contra todos vos busca na margem. Mas a água está fria. A água fria faz mal. Mas sabem que mais? A água fria torna-se quente depois de algum tempo. O vosso corpo adapta-se e aquece. O que custa é o primeiro passo, e os primeiros minutos.
E dão o primeiro passo, convencidos da vossa coragem intrínseca. Mas a água demora a aquecer. O vosso corpo demora a adaptar-se. Correm para longe, alcançam a margem e por lá ficam. E aquele que correu contra a corrente é levado por ela, pois esgotou todas as suas forças no vosso resgate.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Brisa na areia

E é como se uma brisa passasse na areia, apagando de novo todos os vestígios da nuvem negra que assolara a minha praia naquela manhã.
E sentei-me uma vez mais na areia húmida, reflectindo sobre todas as palavras que acabara de escrever. Analisei cada letra, cada expressão, cada frase. Rasurei  aquelas que me desgostavam e acrescentei o necessário.
E uma vez mais li-a, ficando com a nítida sensação  de que, nem que a reescrevesse toda, conseguiria transmitir o turbilhão de emoções e pensamentos que me assaltavam.
Apenas podia garantir que dera o meu melhor, que me expressara da melhor maneira que conseguira, pudera, ou soubera.
Dobrei-a em quatro e olhei as paginas já amarrotadas por tê-las lido e dobrado tantas vezes.
Enfiei-as dentro do envelope de areia e selei-o com saliva na borda.
A mesma saliva que um dia experimentaste.
Olhei as ondas que beijavam a areia.
Quem me dera ser areia, e quem me dera que fosses mar e a cada pôr-do-sol cumprimentar-nos-íamos como se fosse a primeira vez, como se a paixão da noite tivesse sido esbatida pela brisa suave que me acaricia.
E relembrei a tua face, relembrei os teus contornos e chorei. Uma vez mais chorei. E as lágrimas sempre fieis caíam em abundância.
Uma vez mais olhei o mar. E quis ser a onda, ou a areia. E quis ser o barco, o sol, a lua e as estrelas. Quis ser o que quisesses que eu fosse.
Seria sereia, concha, búzio, navio, vela.
Seria nuvem, corda, madeira, baú.
Seria garrafa que dorme ao sabor das ondas.
Seria a carta na tua garrafa. Seria a rolha que a tapa.
Seria a agua que a enche.
Seria os lábios que dela bebem.
Seria as mãos que a abrem.
Seria os olhos que a lêem.
Seria o rosto que reflecte.
Seria tudo. Seria a morte que te leva.
Seria a vida que se esvai.
Seria o último suspiro e o primeiro grito.
Seria o corpo, a carne, a pele e os ossos. Os nervos, os músculos, o sangue pulsante.
Seria o coração.
Seria a alma.
Seria o espírito.
Se fosses meu.
Seria tudo o que tu quisesses desde que te pudesse ver uma vez mais.
E apenas te pedirei isso.
Uma vez mais.
Uma só.
Para me despedir.
Uma última vez.

Adeus



E é no escuro turvo da minha memória que te vejo uma última vez. E despeço-me de ti, minha última memória de mim, do meu antigo eu, da minha outra metade de mim. Despeço-me uma vez mais para que tenhas a certeza de que é uma despedida e, uma vez mais repito-te os mesmos versos:
Longe de mim querer esquecer-me de ti
Pequena metade de mim
Querida companheira dos tempos antigos
Querida consorte dos anos passados
Querida amiga de momentos perdidos
Despeço-me apenas
Tal qual medico numa visita rápida
É apenas uma breve despedida
Não é um adeus, mas um até logo pois sei que sendo minha nunca te abandonarei, seria o mesmo que abandonar-me.
E sou demasiado egoísta para isso.
É um até mais
Até mais não poder
Até nunca te esquecer
É um até logo
Um daqueles longos sorrisos calmos
Um daqueles acenos calvos
Uma daquelas vaidades loucas.
Voltarei, prometo, um dia
Voltarei para uma vez mais olhar-te ao espelho
E por fim, pela ultima vez
Pela ultima derradeira vez
Despedir-me de mim.
E nesse dia em que as cinzas da terra me comerem a carne
Nesse glorioso dia do meu adeus final
Serás a minha última memória
O meu último sorriso
O meu último aceno
O meu último adeus especial.
Suspirarei uma última vez
Inspirarei o teu calor suave rosado
A tua firme brancura
 A tua calva loucura
O teu rosto triste
As tuas palavras em riste
O meu ténue atraso
O nosso leve abraço
A minha leda memória
A tua velha história
Os nossos anos alados
Os caminhos tomados
Os risos partilhados
As lágrimas choradas
As graciosas gargalhadas
O cetim brilhante
O teu corpo pulsante
A minha textura amarga
A tua túnica larga
Os teus seios tapados
Os teus olhos corados
Contornos proibidos
Lábios torcidos
O meu sorriso torto
O nosso amor morto
O desaguar de um novo rio
Cada novo desafio
Cada palavra pronunciada
Cada gota de saliva desperdiçada
Cada doçura não apreciada
Cada momento ignorado
Memórias do nosso passado
Cada nascer do dia
Cada nova manha
Cada tentada
Cada olhar perdido
Cada gesto enviesado
Cada toque trocado
Cada leve amargura
Cada solitária ternura
E cada lágrima caída
Cada noite despida
Cada letra esquecida
Cada anoitecer tardio
Cada por do sol no rio
Cada cama desfeita
Cada hora rarefeita
Cada verso de poeta
Novo sonho desperta
Cada risco no papel
Cada toque na tua pele
Cada adeus trocado
Cada abraço não correspondido
Cada conselho de amigo
Cada confiança traída
Cada rosa despida
Cada apara de borracha
Cada carta guardada
Cada folha borrada
Cada esquina dobrada
Cada lençol manchado
Cada olhar enamorado
Cada suspiro ao acaso
Cada mouro desenlace
Cada flor que floresce
Cada semente que permanece
Cada subtil nascer do sol
Cada canto de rouxinol
Cada cotovia a chorar
Cada mocho a sussurrar
Cada girassol dormido
Cada campo caído
E cada janela aberta
Cada nova descoberta
Cada floco pisado
Cada anjo alado
Cada tarde mortiça
Cada campo frio
Qual morto num rio
E o teu último vislumbre
Tão bela como sempre
Tão jovem qual semente
Tão tenra tal maçã
Tão macia qual lã
E a minha ultima despedida
E o meu último suspiro
E a minha ultima lágrima perdida
E o ultimo correr do rio
A última palavra
A última gota de saliva gasta
Umas costas voltadas
Uma eternidade pela frente
É um adeus momentâneo
Voltaremos a encontrar-nos
Quais querubins dos céus
Os dois perante deus
E eu, diante do meu último amor.
Adeus.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Demónios

A libertação dos demónios interiores, o exorcismo da alma encarcerada exerce sobre nós, na forma de libertação tão profunda, tão profundamente íntima, transforma-nos completamente.
O exorcismo leva tempo. Demora. Dói. Gritamos por misericórdia, piedade. No entanto não há ninguém que nos valha. É algo íntimo, pessoal, com o qual temos que lidar sozinhos, fechados nos pesadelos de nos mesmos, encarcerados na nossa própria realidade imaginária e inconstante.
Há vários tipos de demónios. Há aqueles que nos atormentam a vida inteira, aqueles que por mais que tentemos exorcizar, não há padre que nos valha. Há aqueles que, como os meus, atormentam por fases. Durante algum tempo assaltam-me o pensamento e depois, durante anos, permanecem qual vulcão adormecido, esperando o momento em que a lava chegará ao topo, atingindo tudo e todos com a sua chuva de pequenas gotas de orvalho corrosivo.
No entanto, demónio meu, desta vez não foi preciso padre para o exorcismo. Tomei-te pela fronte, encarei-te de uma só vez e destrui-te. Não me atormentarás mais. Nunca mais terás poder sobre os meus pensamentos e, acima de tudo, não mais me impedirás de encarar a minha realidade, aquela que me pertence por direito, aquela para a qual nasci.
E embora, no meio disto tudo tenha que encarar outros demónios, embora por vezes pense que esta realidade não passa de um demónio passageiro, sinto que este novo demónio não deve ser exorcizado nem aniquilado, não o encarcerarei na minha cabeça, não me envergonharei dele. E quando, e se ele for embora e eu voltar à minha velha realidade amena, não o esquecerei nem me envergonharei de uma vez o ter acolhido como meu pois, estes são os meus demónios, e amo-os por serem meus. E adoro-os por porem à prova toda a minha vida, por exigirem mais e mais de mim. Guardo-os na minha caixa de Pandora e orgulho-me deles e visito-os, e recordo-os e, uma vez mais, agradeço-lhes por serem os meus demónios, so meus e de mais ninguém.