quinta-feira, 10 de março de 2011

Crianças

A infantilidade chega a todos, mesmo aos que se julgam os mais racionais adultos. Somos crianças grandes num mundo de crianças pequenas.
Crianças, não passamos disso.
Crianças convencidas da sua maioridade.
Imaturos. Irresponsáveis imaturos.
Não passamos disso. Embriões mal-amados do nosso tempo. Seres mal gerados. Crianças mal criadas.
Sente. Sente a dor.
Sente agora a tua insignificância perturbadora.
Sente. Corrói.
Não passas de uma criança que me mata.
Não passas do pequeno embrião que eu encontrei e tomei como meu.
Matas-me, filho da minha alma.
Matas-me e morro voluntariamente, qual mártir que se entrega por seu deus.
Filho do meu seio morto. Ai de mim. Negro o dia em que te adoptei.
Apunhalas-me assim, bebé mal agradecido. Demasiado amado foste. Demasiado cuidado te cuidei.
Troquei a minha vida pela tua, e ainda assim me matas.
Oh filho sem piedade. Oh erro da minha juventude. Anel perdido da minha castidade.
Volta agora.
Volta.
Salva-me da criança que me mata.
Pobre de mim, reles humana estúpida.
Não adoptes o que não é teu. Não queiras o que não te pertence.
Arrepende-te.
Arrependo-me. Não. Não.
E ainda assim me seduzes. Embrião mal nascido.
Filho da minha insanidade. Réstia da minha alma negra. Mata-me. Mata-me de uma vez.

E é na negra escuridão tardia que se libertam os pensamentos infames.

E é na negra escuridão tardia que se libertam os pensamentos infames.
Reflexões proibidas, decisões invertidas numa confusão controlada apenas pelo sopro primaveril da razão.
E pergunto-me  vezes sem conta o porquê de tais transformações. São os desvios naturais da sociedade anti-natural., são a normalidade entre os anormais e não passam duma sombra escura, de um borrão mal apagado no grande livro da História da Humanidade.
E quanto mais penso sobre isto, mais certeza tenho de que os anormais são eles, pela sua personalidade mesquinha, pela sua mente fechada e inútil. Pelos seus preconceitos parvos e a sua capacidade de compreensão reduzida.
É muito bonito dizer-se que o amor é cego, apregoar que não interessa o físico do(a) amado(a), que o que interessa é o que se sente. Mas quando chega a hora da verdade, o que realmente interessa é o físico, e ninguém se preocupa com o amor.
Tretas! Tudo tretas!
Vivemos num mundo de treta, num país de treta, numa ilha de treta. E seria preferível morrer  que pensar como eles, seria preferível deixar tudo de uma vez, a admitir os seus preconceitos.